=‘•..•’= O Gato se esconde atrás de sua ferocidade para se proteger...mas se observarmos com o coração podemos decifrar sua real personalidade e perceber a doçura que se esconde profundamente em teu olhar =‘•..•’=...by VGitana Bastet

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Agressividade Felina



Acredito que grande questão da agressividade nos gatos, tanto contra outros gatos, quanto contra humanos, seja a compreensão. O que eu percebo no consultório, como veterinária, é que muitos donos abordam o assunto como se fosse algo casual, da personalidade do animal. Mas vai muito além disso.

Gatos agressivos não são assim simplesmente porque esse é o jeito deles. Agressividade é um problema, e requer tanto um diagnóstico, quanto um tratamento. Há sempre um motivo por trás de um comportamento agressivo, uma motivação. Gatos não são criaturas malvadas!
A agressão em si é um comportamento normal da natureza animal, porém inapropriado no ambiente humano. É uma forma de comunicação. O que acontece é que, quando o gato tem a motivação inadequada, esse comportamento se distorce, e passa a ser um problema.

Então, ponto número um: entender que agressividade é, sim, um problema. A partir disso, precisamos começar a entender o que motiva o gato a agir agressivamente.
Antes de tudo, meu conselho continua sendo o mesmo de sempre: levar seu amigo a uma consulta com seu veterinário de confiança. Há muitos problemas médicos que podem ser responsáveis por comportamentos agressivos, tais como: alterações neurológicas; dor – na coluna, nas patas, na barriga, ou em qualquer lugar; doenças endócrinas – hipertireoidismo; distúrbio da disfunção cognitiva – ou “alzheimer” felino; entre outras. Ou seja, deve-se descartar todos esses problemas médicos antes de afirmar que o seu amigo tem um problema comportamental.
Descartados todos esses problemas, hora de tentar entender o que se passa na cabecinha do seu amigo.

Aqui vale a sua observação. Tente responder a todas essas perguntas:
1) A quem seu gato ataca? – Você? Algum parente/amigo/estranho? Outros gatos? Cachorros?
2) O que aconteceu logo antes do ataque? – O que ele estava fazendo?
3) Qual a frequência dos ataques?
4) Ele sempre fez isso, ou começou de repente? Você consegue identificar a ocasião em que os ataques começaram? – Algum animal/membro novo na casa? Mudança de residência? Etc.
5) Ele “pensa” bastante antes de atacar, ou simplesmente sai correndo e ataca?
6) Qual a resposta imediata ao ataque? – Você/a pessoa briga? Agride? O outro gato/cachorro responde?
Todas essas questões ajudam a identificar a motivação que o seu gato tem para atacar. Procure observá-lo muito, pois a sua percepção é muito importante. Podemos categorizar em alguns itens:

AGRESSÃO POR MEDO
Esse tipo de agressão está diretamente relacionado com uma tentativa de defesa do gato. Alguma coisa aconteceu para que ele ficasse com medo, e ele sentiu que não havia outra escolha além do ataque. Geralmente acontece em situações específicas: uma pessoa desconhecida na casa; a introdução de um novo animal (saiba como fazer!); algum objeto estranho (aspirador de pó, vassoura, secador de cabelo, etc); etc.
O ataque acontece quando o animal sente que não há possibilidade de escape daquilo que o assustou, o que geralmente acontece quando ele fica encurralado, e não tem por onde sair.
O gato, nesses casos, geralmente assume uma postura defensiva: corpo abaixado, orelhas abaixadas, cauda “protegendo” o corpo, e pupilas dilatadas. Antes do ataque, eles rosnam e “assopram” (o famoso “fu”).

Muito cuidado ao se aproximar de um gato nessa posição. Se ele não tiver por onde escapar, há grandes chances dele partir para o ataque!

AGRESSÃO TERRITORIAL
Geralmente contra alguém entrando em um ambiente em que o gato está, seja o próprio dono, seja alguém desconhecido, seja outro animal. Esses gatos costumam simplesmente correr e atacar, sem “pensar” muito antes de fazê-lo. Pode estar relacionado com agressão por medo, cujo resultado do ataque foi positivo para o gato (o indivíduo assustador se retirou do ambiente), e ele passa a fazê-lo conscientemente.
Eles costumam assumir uma postura ofensiva: corpo elevado, pêlos arrepiados, cauda em “espiga de milho”, orelhas eretas ou abaixadas, e pupilas dilatadas. Podem rosnar e “assoprar” antes do ataque, ou simplesmente sair correndo e partir para a agressão.

AGRESSÃO POR FRUSTRAÇÃO
Esse tipo de agressão também pode ser por impulsividade ou por dominância. Ocorre geralmente contra membros da família, em casos em que o gato não recebe aquilo que espera (carinho, petisco, colo, etc). Costumam agredir quando o dono, por exemplo, interfere com alguma situação (tirar do colo, parar de fazer carinho, etc).
O gato não assume postura defensiva e nem ofensiva, e nem “avisa” antes de atacar (com rosnados ou “sopros”), simplesmente agride, impulsivamente. É como se o gato estivesse impondo uma situação, tentando “mandar” em você. São animais que comumente apresentam comportamentos para chamar a sua atenção (ficam o dia todo do seu lado, miam o tempo todo, comportam-se como se estivessem “mamando”, etc).

AGRESSÃO POR CARINHO
Quem nunca passou por isso? Estava lá, naquele momento de puro amor, fazendo um carinho gostoso naquele gatinho lindo, e ele, de repende, tenta arrancar sua mão? Isso é uma agressão induzida por carinho.
Tem gatos que simplesmente detestam que você encoste na barriga, ou nas patas, por exemplo. Vai de cada um, eles só não toleram. Geralmente os ataques acontecem com pouco ou nenhum aviso.

BRINCADEIRA AGRESSIVA
É como se o gato tratasse a vítima como presa. Pode acontecer tanto contra o dono, quanto contra outras pessoas ou animais da casa. Eles geralmente “pensam” bastante antes de atacar, agem como se fosse uma caça mesmo. Param com o corpo abaixado, com a parte traseira levemente erguida, olhando fixamente para a “presa”; a cauda se movimenta bastante, as pupilas estão normais ou dilatadas, mas as orelhas estão em posição normal, viradas para frente. E, de repente, saem correndo e atacam.

De modo geral, as agressões acontecem por algum desses motivos descritos acima. Essas são as possíveis motivações para o gato atacar. O que acontece, muitas vezes, é que não conseguimos identificar o motivo inicial porque o comportamento já existe há muito tempo. E nem sempre tudo é tão claro quanto eu descrevi. O gato pode ter uma mistura de motivações, que, juntas, resultam no comportamento agressivo. As perguntas lá em cima ajudam a distinguir qual a possível motivação do seu gato para partir para a agressão. Por isso que a sua observação é muito importante.
As dicas que eu vou dar aqui, agora, são dicas generalistas, para tentar melhorar essas agressões. Teoricamente, com elas, casos brandos e simples podem ser resolvidos. Mas se o seu gato é muito agressivo, a ponto de ser um perigo para outros animais e até mesmo para a sua família, ou se você não consegue identificar qual a motivação por trás dos ataques, eu lhe aconselho a procurar um profissional especializado em comportamento. Hoje em dia podemos contar com veterinários comportamentalistas, que trabalham única e exclusivamente com o diagnóstico e o tratamento de problemas comportamentais. Ao final desse post, vou indicar alguns profissionais que conheço e confio.

PUNIÇÕES
A maneira como você reage a uma agressão é extremamente importante. Nós NUNCA devemos punir um gato, nem verbalmente, e muito menos fisicamente, independente da situação. A punição só deixa o animal ainda mais ansioso e assustado, e piora o comportamento inadequado.
No caso de a agressão ser contra outros animais, você deve tentar interromper o ataque. Para isso você pode utilizar o que chamamos de punições despersonalizadas, que são aquelas que o gato não sabe que partiu de você.
Pode-se utilizar borrifadores de água, latas com moedas dentro para fazer um barulho forte, ou um repelente ultrassônico.
Se a agressão for contra pessoas, principalmente naqueles casos de brincadeiras agressivas, a pessoa não deve se comportar como presa. Ela deve ficar imóvel, sem punir ou reforçar o comportamento. Brincadeiras “de mão” com o seu gato não são bem vindas, e não devem ser incentivadas. Já as punições despersonalizadas estão permitidas.

MODIFICAÇÕES AMBIENTAIS
O enriquecimento ambiental é a chave para um gato mentalmente saudável. A ideia é transformar a sua casa em um ambiente em que o seu gato possa agir como gato. Ele precisa caçar, pular, brincar, correr e arranhar. Eu comentei um pouco a respeito de enriquecimento ambiental no post sobre gatos que miam demais, dê uma olhada na parte em que falo sobre ansiedade.
A questão é que um gato ansioso pode desenvolver comportamentos inadequados. Se o seu gato não é estimulado da maneira correta, ele procura outras maneiras de “extravasar”, e pode acabar transformando um outro animal, ou uma outra pessoa, em um “brinquedo”. Aí começam as brincadeiras agressivas. Seu gato precisa ter como estimular-se física e mentalmente, principalmente quando estiver sozinho. Espalhe brinquedos pela casa, sempre renovando-os, para que ele nunca perca o interesse. Há mil opções no mercado, divirta-se pesquisando os mais interessantes! Aqui na loja do Cat Club tem vários legais, dê uma olhada.
Além disso, a sua casa deve ter território suficiente para todos os animais. Se você tem dois gatos, deve ter tudo em dobro, e espalhado em locais diferentes. Os gatos são muito metódicos na questão do territorialismo, e gostam das coisas muito bem resolvidas e divididas entre eles. Caso contrário, podem acabar desenvolvendo o comportamento agressivo.
Quando a agressão é entre os gatos da sua casa, você deve oferecer áreas de escape. Assim, você evita que haja o encurralamento de um gato, possibilitando aquela questão da agressividade por medo. Evite o confronto desses gatos fornecendo lugares em que possam se esconder ou pular. Preste atenção no local em que os ataques acontecem, e veja se é possível fazer alguma alteração para que não haja o encurralamento.

MODIFICAÇÕES COMPORTAMENTAIS
Em primeiro lugar, como já dito ali em cima, nunca se deve punir um gato. Sempre prefira reforçar comportamentos positivos. Procure fazer carinho ou dar um petisco quando o seu gato estiver relaxado e tranquilo, e lembre-se que essas ações devem partir de você. Nunca espere o seu gato miar, ou pedir por um afago. Caso contrário, você estará reforçando aquele comportamento.
Duas técnicas muito utilizadas por comportamentalistas são a dessensibilização e o contra-condicionamento, e são muito úteis em casos de agressões por medo ou por território, por exemplo. A dessensibilização consiste em apresentar gradualmente para o gato aquilo que o assusta ou incomoda, de uma maneira segura para que ele não tenha medo (a introdução correta de um novo animal, por exemplo). Já o contra-condicionamento é o ato de oferecer um reforço positivo conforme for fazendo a dessensibilização, seja através de petiscos, ou carinhos.
Sempre brinque muito com o seu gato quando estiver em casa, e lembre-se de oferecer opções para ele se divertir quando estiver sem você. Gatos precisam ser gatos. E tome cuidado na hora de oferecer um carinho. Para aqueles gatos em que a agressão é desencadeada por um carinho no lugar errado, evite forçar a tolerância dele. Pare antes dele te atacar, você provavelmente já sabe aonde ele não gosta de ser afagado, então não force. De modo geral, os comportamento agressivos dependem muito de como você lida com eles. Desde o simples fato de você ignorá-lo, até reagir da maneira incorreta. Procure fazer essas alterações que eu sugeri aqui, e passe a lidar com essa questão corretamente. Investigue bem, e observe muito o comportamento do seu gato, para identificar exatamente qual a causa da agressão. Quando você souber o que o motiva a agir agressivamente, começará a compreender esse comportamento, e consequentemente saberá como lidar. Tenha sempre muita paciência, e saiba que, muitas vezes, o sucesso está em simplesmente conseguir diminuir os ataques.
Há casos em que, por exemplo, houve uma má socialização do gato na infância, e ele passa a ter comportamentos agressivos por isso. É muito complicado lidar com uma situação assim, pois a fase de socialização é extremamente importante para um filhote. Por isso não devemos separar bebês das mães antes dos 60 dias de idade. Eles precisam passar por essa etapa da melhor maneira possível.
Se você está lidando com uma situação grave de agressividade, ou se as alterações que eu propus aqui não surtiram efeito nenhum, eu sugiro que você procure um profissional da área para lidar com essa questão. Pesquisando na internet por “Veterinário Comportamentalista na cidade X”, ou conversando com seu veterinário de confiança, você deverá encontrar alguém que atenda na sua região. 

Por: Dra. Luísa Navarro
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