=‘•..•’= O Gato se esconde atrás de sua ferocidade para se proteger...mas se observarmos com o coração podemos decifrar sua real personalidade e perceber a doçura que se esconde profundamente em teu olhar =‘•..•’=...by VGitana Bastet

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Entrevista com Charllote Meyer fala sobre a paraplegia de seu gato, o Miguelzinho



Charllote Meyer fala sobre a paraplegia de seu gato, o Miguelzinho
Publicado por Thiago, 01/04/2013

O Miguelzinho é um gato guerreiro e famoso na internet. A sua fan page é super movimentada e funciona como um diário da sua vida. Nela e no seu blog,
ele conta como é viver em uma condição especial, pois esse gatinho é paraplégico. Na entrevista abaixo, a responsável pelo Miguelzinho e administradora de suas páginas virtuais, Charllote Meyer, fala sobre a sua história e conexão com o gato, além de nos contar a sua experiência com a adoção de um animal especial e as dificuldades na aquisição de uma cadeira de rodas.




Por que você optou por adotar um gatinho com necessidades especiais? 
A história de Miguelzinho começa em junho de 2012, quando o encontrei quase morto dentro de uma caixa de papelão, cheio de pulgas, fezes de pulgas, formigas e batata palha. Quando o achei, não pensei duas vezes em socorrer aquela vidinha. Notei a falta de movimentos de suas patas traseiras e o socorri. Eu já tinha 6 animais, sendo 5 gatos (Mellorine, Sanji, Libby, Franz e Moanna) e o cachorro Gregory.  Eu e meu marido havíamos feito um trato e não iríamos adotar nenhum outro animal, pois na época os dois trabalhavam fora e restava pouco tempo para dar atenção a todos. Meu objetivo era fortalecer e doar o Miguelzinho, assim como já havia feito com vários animais, só que em nossa primeira semana de convivência foi constatada a sua paraplegia.
Eu chorei muito, pois seu início de tratamento foi muito conturbado. Todos os dias eu tinha que o levar na veterinária para ele tomar injeções de antibiótico, anti-inflamatórios e analgésicos. Era preciso fazer lavagens intestinais e esvaziamentos manuais da urina. Por algumas vezes ele precisou de cistocentese (técnica que envolve a inserção de agulha na bexiga urinária, geralmente utilizada para diminuir a pressão uretral, em casos severos de obstrução, ou para obter amostra de urina). Nesse momento, foi quando meu marido falou: “Ninguém adota animais paraplégicos, ainda mais com tamanhas dificuldades”. Então eu disse: “Eu adoto.”
Conversamos e ele aceitou a adoção. Hoje, eu tenho certeza que ninguém faria o que faço por ele. Muitos podem até dizer que fariam, mas na prática é totalmente diferente e a dedicação deve ser integral. Se ele está vivo, não querendo me gabar, jamais, é por que eu fiz tudo que esteve ao meu alcance para o salvar, assim como ainda faço com a ajuda de muitos titios e titias do Miguelzinho. Eu até parei de trabalhar para me dedicar integralmente a ele.

Quais são os problemas de saúde enfrentados pelo Miguelzinho? 

Posso adiantar que não são poucos. Quando ele tinha 20 dias de vida, sofreu uma grave lesão medular. Uma criança fechou um portão de ferro quando ele passava e esmagou o seu abdome. Ele teve muita sorte de ter resistido até que eu o encontrasse, pois quando ele teve seus primeiros socorros, com a veterinária, já tinham se passado mais de 24 horas desde a agressão. Com o tempo, suas patas traseiras voltaram a se movimentar com reflexos e espasmos. Ele não tem sensibilidades a dor, fogo ou frio.
O ponto da lesão ainda não foi identificado, pois seria necessário realizar uma ressonância magnética. Pesquisando muito sobre o assunto, eu pude entender que a lesão está localizada entre a vértebra torácica 12 (T12) e a vértebra sacral 5 (S5). Lesões nessa região da medula espinhal causam paralisia, perda da sensibilidade abaixo da virilha, diferentes padrões de fraqueza, entorpecimento dos membros inferiores, perda do controle da bexiga e dos intestinos e entorpecimento do períneo. Por isso ele não faz nenhuma de suas necessidades fisiológicas sozinho, e quando faz é por gotejamento, pois a bexiga transborda quando está muito cheia. O mal funcionamento da bexiga faz com que ele tenha constantes infecções urinárias, algumas leves e outras tão graves ao ponto de ocorrer hemorragias leves ou fortes. O mesmo acontece com seu intestino, que teve o seu movimento peristáltico afetado. Se eu for esperar que o seu intestino encaminhe as fezes até o reto, isso vai demorar, em média, 4 dias. Nesse ponto ele está tão inchado e dolorido que tem perda de apetite, enjoo e vômitos. Por isso, ele precisa ter sua bexiga esvaziada manualmente 3 vezes ao dia e seu intestino uma vez ao dia. Faço isso com ajuda de manipulações intestinais, encaminhando com as mãos os bolos fecais, e com a utilização de medicamentos lubrificantes, laxativos e supositórios.
Ele come 3 sachês de ração úmida diariamente, pois a ração seca não é recomendada para animais paraplégicos e com dificuldades intestinais. Se tenho que ficar fora de casa por muitas horas, preciso levar o Miguelzinho comigo. Por causa dos inchaços abdominais e por sua barriga não ser firme, ele criou uma lordose nas costas. Esse tipo de desvio tem doído bastante e por isso acabei desistindo dos piqueniques do Miguelzinho (eventos abertos ao público). No total foram realizados 4 piqueniques e 1 festa de natal.

Uma cadeira de rodas ajudaria de qual maneira? 

A cadeira é uma um grande investimento na saúde do Miguelzinho. Ela vai muito além da estética, pois é uma grande oportunidade de estimular os movimentos de suas patinhas traseiras, para que o seu intestino também seja estimulado. Acreditamos que com esse exercício, seu movimento peristáltico melhorará em pelo menos 50%. Com esse movimento ele terá a chance de fazer caquinha sozinho, mas isso, por enquanto, ainda é suposição.
Outro benefício é a mobilidade. Ele é um gatinho muito esperto, mesmo se arrastando ele corre pela casa, pula no sofá e brinca com seus brinquedos. E junto com a mobilidade vem a firmeza da sua coluna. Enquanto ele estiver sentado, sua coluna continuará em uma posição desconfortável.

Quais são os maiores desafios encontrados no mercado para a compra de uma cadeira de rodas? 

O maior desafio é encontrar alguém que seja capaz de entender todos esses problemas e juntar soluções em uma única cadeira de rodas. O equipamento também precisa ser voltado para gatos.

Há tipos especiais para gatos? 

Infelizmente, encontramos somente adaptações de cadeiras caninas para o tamanho dos gatos. Certamente, 100% das cadeiras disponíveis no mercado são voltadas para o público canino.

É possível fazer uma cadeira de rodas em casa? 

É possível, mas não acho recomendável. Não sou veterinária e o uso desses equipamentos caseiros pode causar sérios danos no animal.

O Miguelzinho já tem uma? 

Ele ia ter, mas infelizmente o fabricante fez uma cadeira de cachorro achando que um gato a usaria. Ele cedeu logo que foi colocado em cima da cadeira. O Miguelzinho não conseguiu se mover, teve muitos espasmos e, vendo aquela cena, decidimos cancelar a compra. Mas ele terá! Iremos pesquisar com mais calma, pois ele não pode ter qualquer cadeira.

Qual é a mensagem que você deixa para os gateiros que pensam em adotar um gato com necessidades especiais? 

Não é nada fácil. Quem quer adotar um animal paraplégico e acha que basta trocar fraldas, fazer carinho, botar na cadeira de rodas e levar no veterinário quando o gato ficar doente está super errado. Os cuidados envolvem uma dedicação sem fim, pois eles podem viver, se bem cuidados, por mais de 10 anos.  Você precisa ter certeza de que está fazendo a opção certa, pois você precisa sempre se lembrar que os cuidados consomem muito tempo, dinheiro, paciência e atenção. Infelizmente, só o amor não basta. Nos tornamos mais do que mães e pais desses animais. Nos tornamos seu cérebro, seu instinto para urinar, as suas pernas e muito mais.

E falando tanto nele, Miguelzinho, qual é o recado que você dá pra gente?
Primeiramente, obrigado pelo carinho titio Thiago! Ser um bebê especial não é fácil. Agora, muitos poderão entender o que a minha mamãe sofre para me deixar bonitão e saudável. Muitas vezes estou bem por fora, mas minhas infecções estão me causando dores e incômodos.  Todos chamam minha mamãe de guerreira e eu concordo. Foi por causa dessa força, que ela tira não sei de onde, que eu estou vivo. Ela ficou arrasada quando descobriu minha paraplegia e fez uma promessa. Ela prometeu que faria tudo o que estivesse ao seu alcance para me ver bem, saudável, feliz e confortável. Por essa promessa ela deixou de trabalhar, deixa de viajar, deixa de sair se não puder me levar ou se eu estiver passando mal.  Ela já foi criticada por pessoas que não entenderam a nossa conexão. Mas sabemos que isso acontece, até porque somos uma dupla fora do normal! Desejo estar ao seu lado pelo resto de minha vida.  Agradeço a todos os meus titios e titias que me acompanham e dão apoio à minha mamãe para que ela continue cuidando de mim.
Lambeijocas do Miguelzinho

Para falar com a Charllote e o Miguelzinho, envie um e-mail para contato.miguelzinho@gmail.com.
Veja abaixo um vídeo que mostra a evolução do tratamento do gatinho desde que ele foi resgatado até os 4 meses de idade!




2017

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